O cano que vaza na rosca costuma ter veda-rosca aplicado no sentido errado, em quantidade errada, ou uma rosca danificada que nenhuma fita vai segurar. Descobrir qual dos casos é o seu evita desmontar a mesma conexão três vezes.
Por que a rosca vaza
Na rosca, a água não passa pelo encaixe em si: ela escapa pelos vãos minúsculos entre os filetes. A fita ou o fio têm a função de preencher esses vãos. Os motivos mais comuns do vazamento são:
- fita aplicada no sentido contrário, que se desenrola quando a conexão aperta;
- poucas voltas de fita (sobra vão) ou voltas demais (a conexão não fecha e racha);
- rosca suja, com resto de fita velha ou cola;
- peça com filetes gastos ou amassados;
- conexão apertada além do limite, que trinca a peça fêmea;
- uso de fita no lugar de anel de borracha em conexões que vedam por anel.
Antes de comprar qualquer coisa, observe de onde sai a água. Se pinga justamente na junção rosqueada e seca ao apertar um pouco, é vedação. Se pinga e não melhora com aperto, pode ser rosca danificada.
Sentido e voltas: o que realmente importa
A fita deve ser enrolada no mesmo sentido do aperto. Olhando de frente para a ponta da rosca macho, a rosca aperta girando no sentido horário, então a fita também gira no sentido horário. Assim, ao rosquear, a fita é puxada para dentro e se acomoda entre os filetes. No sentido contrário, ela enrola, desliza e abre o vazamento.
Regras práticas para conexões de água fria:
| Situação | Quantidade orientativa |
|---|---|
| Rosca fina de bitola pequena (meia polegada) | de 4 a 5 voltas |
| Rosca de bitola média (três quartos a uma polegada) | de 5 a 6 voltas |
| Conexão plástica (PVC roscável) | no máximo 4 a 5, sem apertar com chave grande |
| Conexão metálica | até 6 voltas, aperto firme |
Esses números mudam conforme a espessura da fita, então use como ponto de partida. A fita deve ficar esticada, assentada nos filetes, sem sobrar na ponta (não cubra o primeiro filete, para o resíduo não entrar no cano).
Passo a passo para refazer a vedação
- Feche a água no registro do ponto ou no geral e abra uma torneira para esvaziar o trecho.
- Desmonte a conexão com duas chaves, uma segurando o cano e outra girando a peça, para não torcer a tubulação.
- Remova a fita velha com a unha ou uma escova de cerdas macias. Nenhum pedaço deve ficar nos filetes.
- Inspecione os filetes. Se estiverem amassados, cortados ou muito gastos, pare aqui: a peça precisa ser trocada.
- Aplique a fita no sentido do aperto, esticando bem, começando do segundo filete e indo até a base.
- Rosqueie primeiro à mão, até sentir resistência, e depois dê no máximo uma a duas voltas com a chave.
- Abra a água devagar e observe por alguns minutos. Passe um papel seco em volta da conexão para enxergar gotas mínimas.
- Se ainda vazar, desmonte, refaça com uma volta a mais ou use a alternativa abaixo.
Alternativa com fio de vedação e pasta
Em conexões metálicas e em rosca mais grossa, o fio de linho ou sintético com pasta de vedação segura melhor que a fita, e ainda permite pequeno ajuste de posição depois do aperto, sem perder a vedação. Como aplicar:
- Prenda a ponta do fio num filete e enrole no sentido do aperto, seguindo o passo da rosca, numa camada fina que ainda deixe ver o desenho dos filetes.
- Passe uma camada leve de pasta por cima, sem encharcar.
- Rosqueie normalmente.
Evite pasta em peças plásticas se o fabricante não indicar, porque alguns solventes atacam o PVC. E nunca misture fita e pasta numa mesma rosca sem necessidade: o excesso trava a montagem.
Emenda que vaza: nem toda emenda tem rosca
Se o vazamento está numa emenda de tubo de PVC marrom, ela não é rosqueada: é soldada com adesivo. Não adianta apertar nem passar cola por fora. O caminho correto:
- Feche a água e deixe o cano secar totalmente.
- Corte o trecho com a emenda (serra de dentes finos, corte reto).
- Lixe e limpe as pontas.
- Monte com luva de correr (que dispensa mover o cano) ou luva comum com adesivo plástico para PVC.
- Respeite o tempo de cura do adesivo antes de pressurizar, conforme a embalagem. Pressa aqui garante um novo vazamento.
Para cano de água quente, o material é outro (CPVC ou PPR), com adesivo e união próprios. Não use cola de PVC comum, nem maçarico, nem soldas improvisadas.
Quando o conserto só adia o problema
Algumas "gambiarras" resolvem por um dia e voltam: massa epóxi sobre rosca, silicone, fita crepe, borracha de câmara. Servem para estancar um vazamento até o encanador chegar, nunca como reparo definitivo. Se a conexão tem rachadura visível, mesmo que fina, ou se a rosca fêmea trincou ao apertar, só a troca da peça resolve.
Como testar depois do conserto
Não confie só no olho. Depois de abrir a água, seque a conexão com papel-toalha e deixe junto à rosca por 10 a 15 minutos. Qualquer mancha de umidade no papel revela um gotejo que a vista não pega. Repita o teste no dia seguinte, com o cano frio, porque a dilatação em tubulação exposta ao sol pode abrir folgas que não existiam à noite. Se o papel continuar seco nas duas verificações, a vedação está boa.
Rosca de metal e rosca de plástico
Em conexão metálica, o aperto é firme e o material suporta mais volta de chave. Em plástico, o excesso de aperto é uma causa comum de trinca, e a trinca costuma aparecer horas depois, quando a pressão volta. Se você precisa de uma chave grande para fechar uma conexão plástica, é sinal de que a fita está em excesso ou de que a rosca não é compatível, e o melhor é desmontar e conferir a bitola.
Quando chamar um técnico
Chame o encanador quando:
- a rosca da conexão está trincada ou os filetes estão espanados;
- o vazamento volta depois de duas vedações bem feitas;
- a rosca está presa em cano embutido na parede, onde forçar pode quebrar a tubulação;
- a água vaza em tubulação de água quente ou de gás;
- aparece mancha de umidade na parede sem ponto de vazamento visível.
Na visita, peça para o profissional apontar onde está a falha (fita, peça ou cano), trocar a conexão inteira em vez de remendar e testar sob pressão antes de ir embora. Isso evita o vazamento voltar na semana seguinte e mostra se mais algum ponto precisa de atenção.